Autoramas – Teletransporte

17 06 2007

Autoramas Teletransporte
Autoramas – Teletransporte (Mondo 77)

Confesso que queria ser o Gabriel Thomaz; famoso na cena independente brasileira, amigo de todo mundo, contrato com todos os selos do mundo, seu nome ja é falado mundo afora, recebe demos e cds de graça e o melhor de tudo, tem uma banda fodona.

Me lembro que a primeira fez que eu ouvi Autoramas, foi a música “Nada A Ver” que na epoca não tinha Nada A Ver com o que eu estava escutando, logo depois veio a chatinha “Você Sabe”, essa até hoje é a mais chata deles mas foi graças a ela que eu reouvisse esse seleto grupo, que me fez comprar por meros 20 reais, um disco que vale desde a capinha até a ultima música, sem perder a qualidade a nenhum instante.

Dois (ou três) anos depois, eu ouço essa perola do Rock, que, se não fosse essa falsidade da cultura, estaria numa Billboard brasileira, em exato 67º lugar.

O disco começa com “Mundo Moderno” que é basiquinha, rock bem Autoramas; guitarrinha surf-rock num riff garageiro e com uma letra legal, “tem gente que nasceu pra ser obediente” talvez seja a frase desse semestre, apesar da música já existir a séculos. Logo depois vem “Fazer Acontecer” que é eu diria…uma evolução no som deles, uma batida house, efeitos “space ala Man Or Astroman?” e uma surpresa, guitarras funky no meio da música, a música apesar, peca na letra que parece soar um pouco artifical

“300 Km/h” é uma balada que, falando sério, entraria fácil nas rádios brasileiras, e não tenho medo de falar que seria primeiro lugar, o que eu vou falar é medonho mas acredite…essa música realmente parece as do grupo de pop rock mas que era genial quando era ska Skank.

“Marketeiro”, essa música é com certeza, uma das melhores músicas nacionais que eu já ouvi na minha vida. Começa um surf-rock genial, para cair em um riff que lembra muito os temas do Batman, o refrão é algo a parte, combina totalmente com a atmosfera da música (“Marketeiro, só você pode me salvar”) e totalmente chiclete. Não precisa nem ouvir 30 segundos pra dizer que é otima. “Hotel Cervantes” que vem seguinte, primeiro single tem um clima bolero com um surfzinho otimo.

Sem perder o ritmo, “Já Cansei de Te Ouvir Falar” é a música comercial do disco, cantada pela iniciante Simone, a música tem um riff esperto, acordes basicos, solinho maneiro e uma letra irônica, agrada mas não dispara. “Identificação”, assim como “300 Km/H” é outra otima baladinha, esta tem uma grande presença da Jovem Guarda, mostrando porque o Gabriel Thomaz é um dos integrantes do “Lafayette & Os Tremendões”, o refrão, assim como a maioria do disco, é totalmente chiclete, otima música para temas de novela, sem querer tirar a qualidade dela.

“Surtei” volta a dar o ar pesado a banda, e acredite está musica que lembra muito os do Nirvana, tem um dos refrões mais geniais da música. A música começa calmissimaa falando sobre um relacionamento já no final, até as guitarras explodirem e a coisa ficar pesada no tal refrão “Surtei, e daí? Agora Foda-se!” e depois indo para um solo gigante, tudo a ver com tudo meu amigo. “Eu Mereço” e “Muito Mais” são músicas parecidas, ambas com um riff garageiro mas diferentemente, a primeira acaba caindo em uma melodia pop-rock britânica, lembrando grupos modernos como o Kooks, a segunda mantem um clima sombrio, contando histórias sobre a realidade urbana.

Faixa 11, música “Digoró”…A LETRA MAIS GENIAL, A MÚSICA MAIS BEM TRABALHADA DO ROCK BRASILEIRO. A história fala sobre um garoto drogado, “Digoró” que acaba roubando uma nave espacial e destruindo coisas, e enquanto isso varías coisas vão acontecendo durante a cidade no qual acontece a crise: guerra de gangues, explosão de camburões, tudo isso é contado de uma forma como se alguem estivesse contando uma história de terror. A melodia só ajuda na música, mantendo um ar sombrio, a música acaba surpreendendo a todos, com gritos e berros e uma batida hardcore, completando de modo perfeito a música. Mil vezes melhor que as músicas teatrais da Blitz.

Após 11 faixas que conseguem ser ótimas sem perder nada, chegando até em dois momento soando clássicos do rock. Acaba perdendo um pouco de força nas ultimas três faixas, apesar de não serem ruins! “Panair do Brasil” é uma música instrumental que consegue misturar perfeitamente o “surf”, o “pop”, o “rock” tudo isso acompanhado de um orgãozinho fantastico feito por Lafayette, “O Inesperado” é um pop-rock bem simples, entraria facil e faria sucesso em “novelas” como Malhação. Por final, vem “Guitarrada” mostrando a qualidade de Gabriel como músico, compositor e guitarrista, incriveis habilidades com a guitarra são mostradas nessa música e um violão espanhol no fundo com pequenas experimentações. Acho que por isso o nome estranho da música.

Antes de tudo, eu queria falar para a Mondo 77, que se ela fosse uma gravadora grande, estaria com dois hits nas rádios brasileiras (“300 Km/H” e “O Inesperado”) e dois clássico do rock (“Marketeiro” e “Digoró”). Mas de qualquer jeito, vocês (da Mondo) podem ficar felizes, pois ja garantiram 20 reais meus.
Um beijo e um queijo pros filhos,
Guerra


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14 respostas

16 06 2007
fester

pra quem começou a ouvir Autoramas a pouco tempo até que tu está sabendo de algumas coisas, mas pra fazer uma resenha melhor ainda vai precisar ouvir muita música garoto…não sei se já ouviu tudo deles (pode até já ter…) mas frases como “chiclete” e “riff maneirinho” não são os melhores adjetivos pra música deles ou qualquer outra banda, respeito tua opinião…mas discordo em grande parte quando classifica como “tema de malhação” ou músicas a là Skank…isso só demonstra que teu Neston com leite não tá servindo pras 1001 utilidades…abraço e resenha regular pra um disco ótimo

17 06 2007
estrasburg

hum…otimo saber que as pessoas pararam com falsas opiniões. Vou explicar tudinho

Realmente, tenho 14 anos, nada a ver vim um texto alá Bruno Medina.

pô, mas realmente parece uma música do Skank, e não falo isso pra criticar “300 Km/H”, até porque o Skank ja produziu otimas coisas, que obviamente, não são valorizadas pelo publico “pseudo-alternativo”.

o “inho” é porque Marketeiro é como se fosse…bem é dificil de explicar, porque não é um riff grandioso e faraonico, é um riffzinho pequeno mas que consegue ser melhor que muitos do Rush

Chiclete é algo que discordo de você, o disco é algo que enfia na cabeça e não sai mais, prova disso são “300 Km/h”, “Surtei”, “Identificação”, “Marketeiro” e por ai vai uma “porrada”

Tema de malhação pode ter soado mal e até entendo você não ter gostado, mas foi algo que senti na hora, me lembrou realmente certas bandas nacionais que tocavam lá, punk-pop meu amigo, só o inicio que engana, mas isso é punk-pop evidente!

é isso aí, eu acho que o fester não vai ler isso, mas é sempre bom saber que alguem leu algo que eu fiz

OBS: Neston é o cacete, só to no Nesquik

17 06 2007
saico

“uma das melhores músicas nacionais que eu já ouvi na minha vida.”
“tem um dos refrões mais geniais da música.”
“A LETRA MAIS GENIAL, A MÚSICA MAIS BEM TRABALHADA DO ROCK BRASILEIRO.”

sua noite com o Lúcio Ribeiro deve ter sido GENIAL!

17 06 2007
estrasburg

pô, mas Lúcio Ribeiro é um cara que influencia

Até porque, se não fosse ele eu não conhecia uma porrada de banda

17 06 2007
estrasburg

alem do quê

Quero resenhar disco bom, pra que vou resenhar disco merda?!?!

17 06 2007
Gustavo

Porra, tenho a impressão que a galera pegou pesado. Eu gostei. Não concordo com tudo, é claro, mas gostei. Quem me dera ter 14 anos e já estar ligado em uma porrada de coisas assim…demorei muito mais.

17 06 2007
fester

cara…não use o Lúcio Ribeiro como referência porque dentre 500 bandas que ele escuta, 498 são merda e as 2 restantes são projetos paralelos dessas bandas de merda…e das 2 uma, ou tu escutou pouco Autoramas ou escutou muito Skank, porque nem a pau “300 km/h” remete a Skank..e não venha dizer que o disquinho “beatles” dele é genial porque tu só escutou a música que teve clipe na MTV…
punk-pop meu amigo…punk-pop, que bonito que descobriu novos subgêneros pra classificar bandas
e na boa…o garoto tem que ouvir pra aprender…caso contrário quando tiver 18 anos as resenhas terão definições como: “e o refrão grudento a la Bloc Party”

17 06 2007
saico

usar Lúcio Ribeiro como referência realmente seria trágico, se não fosse cômico.

em poucos (é péssimos) posts deste blog, já percebi que rotular é regra importantíssima para o garoto aí.
estão aí as intermináveis citações de “garageiro”, “rock dançante” e “punk-pop” que não me deixam mentir.

posso afirmar sem dúvida alguma que todo esse “conhecimento” foi obtido depois de intermináveis horas sentado diante de um computador, engolindo qualquer lixo escrito por qualquer jornalista que pense encontrar uma melhor banda do mundo diferente a cada mês, e fazendo disso uma lei indiscutível.

vai pra rua, garoto!

17 06 2007
Guerra

cara, as rotulações e comparações só me ajudam, se não a resenha fica uma bosta.

Vou falar o que? “ó, esta música é boa e tem umas guitarras legais e tal”. Ai não vale a pena. Pelo menos eu, não quero algo que só confirme que o disco é bom, quero que me comprove isso e um pouco mais. Por isso se eu recheio elas de rótulos, pra influenciar o leitor a ver se parece ou não.

é por isso que 95% das resenhas de hoje em dia são um lixo, o cara só escreve o óbvio e nada mais.

hahahaha, saico, eu vou pra rua, mas pra isso você tem que sair desse mundinho alternativo que vive na sua cabeça.

18 06 2007
Valdir

Pegaram pesado mesmo. Duvido que quando a maioria que comentou aqui tinha 14 anos sabia direito o que era rock. Obviamente que tem algumas bobagens no texto, Skank, punk e sei lá o que mais, mas se estas são as referências que ele tem, até que não soam tão absurdas.

Claro que para fazer uma crítica/resenha bem feita a pessoa tem que ter escutado muita coisa, principalmente para sacar que o som do Autoramas é muito mais ligado a Trashmen, Dick Dale, Cramps e new wave do que qualquer outra coisa, mas quem, hoje com menos de 20 anos, já ouviu algum destes nomes?

estraburg, não desanime, mas uma coisa é certa, vc tem mesmo que aumentar a sua discoteca, pesquisar e tal, senão só vai encontrar posts te detonando mesmo.

19 06 2007
ricardo

fala Gueeeeeeeerra!

é o ricardo da comunidade do Ecos Falsos.

gostei dessa sua resenha! eu sou muito fan de autoramas. conheço eles da época de Fale Mal de Mim, e acho Nada A Ver mais enojada que Você Sabe.

até!

21 06 2007
EVERI RUDINEI

caro guerra, postei sua resenha sobre disco do autoramas,em nossa agenda ,no site telescopio.abçs do everi rudinei

22 06 2007
Diogo-Benflos-Rockz

É isso aê Guerrilha! Acho que tem futuro. Abráx seu abusado!

28 06 2007
eu

Vc trocou os nomes, Simone é a antiga baixista. É a Selma que canta no disco.
ok?
abç

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