
The Young Knives – Voices Of Animals And Men (Transgressive Records)
Via internet, comprei esse cd dia 3 de Outubro. Via vida normal, ganhei esse cd dia 17 de Janeiro. E confesso que valeu cada dia.
O Young Knives é uma banda inglesa, de uma cidade chamada Oxfordshire, são totalmente injustiçados aqui no Brasil, na Inglaterra já são bastante famosos, mas tambem são injustiçados porque foram infelizmente, colocados no grupo do “novo” rock. Algo que não tem nada a ver com esse disco, até porque é muito mais. Quando chegou esse cd aqui em casa, ouvi inteirinho e me maravilhei com as autencidades e genialidades da banda, mas só hoje, após de ouvir milhões de vezes vou fazer a resenha.
Botar esse cd no PC/Som (ou apertar o botãozinho do iPod) já nos surpreendemos com a guitarra fuzz de “Part Timer” e com umas vozes que lembram, o hoje imitavel, Freddie Mercury, o mais impressionante dessa musica é que ela apesar de não ser, os falssetos, os “uuuhhh” e a batidinha deixam a música com um tom cômico nunca visto antes. A coisa continua com “The Decision”, os falssetos e a voz irônica transformam essa música numa mistura de rural, cômico, anos oitenta e, mais uma vez, Freddie Mercury. No final vem uns “pa-pa-parara” misturado com as “vozinhas” já conhecidas (em apenas 2 músicas!), dá pra ver que o grupo é bom.
“Weekends & Bleakdays” foi a primeira música que ouvi deles, e me maravilhei, o riff repetitivo que desagua num pré-refrão pós-punk para depois entrar no refrão mais pegajoso de 2006/2007/2008/2009/2010, “Hot Summer, Hot-Hot Summer”, e a banda parece não ter medo…pois repete isso várias vezes.
Em 3 músicas a banda já conseguiu mostrar que é engraçada, “queeniana”, roqueira e até um pouco garageira.
“In The Pink” é uma música que, assim como “The Decision”, é meio calminha, com uma batida original e a música vai em, incrivelmente, um clima medieval, até porque a letra me parece ser algo parecido, o refrão é a marca do disco, vozes agudas em algo que gruda e não sai mais, só ouvindo para você me entender.
“Mystic Energy” é minha preferida deles, apesar de ser a que mais se enquadra nesse padrão do “novo rock”, a música começa calminha para entrar em uma sequência genial de acordes, com certeza uma das melhores do ano, energética e dançante ao mesmo tempo, não duvido que isso seja coisa do produtor desse disco, o “ó do borogodó” Andy Gill, guitarrista altamente influente do Gang Of Four, a letra é algo bem curioso, li ela mas ainda não entendi, só sei que ele esta sentindo energia mística. “Here Comes The Rumour Mill” é algo que lembra, estranhamente, ao mesmo tempo The Darkness, Gang Of Four e Blur. A guitarra semi-fuzz (se é que eu posso chamar assim) volta a ativa, e surpreende no seu solinho, e na incrivel passagem do pré-refrão para o refrão, enquanto isso, os caras falam sobre como o sistema de engana de todos os jeitos.
Depois de tanta (boa) porrada, mas uma vez os Young Knives surpreendem, “Tailors” é uma música acústica e incrivelmente soft, poderia entrar tanto numa colêtanea de Indie Pop, quanto numa de MPB anos 70. O refrão vai no padrão YK, vozinhas agudas, batidinha pegajosa. Lembra as vezes uma música gospel, as vezes as músicas mais calma de Cat Power e Tom Jobim. “Half Timer” é um blues que consegue dar de mil em um bando de bandas que tocam esse genero hoje em dia, as vozes dão um show a parte, enquanto uma (que é bem britanica) fala como se estivesse conversando, uma voz sofrida repete um verso amigo.
“She’s Attraced To” acaba com todo o climinha, um baixo repetitivo e umas guitarras dissonantes ala Gang Of Four dão o tom da majestade, realmente, essa junta com “Mystic Energy” poderia entrar facilmente no grupo de bandas novas, com certeza junto com “Weekends & Bleakdays” são os hits. ”Dialing Darling” faz um vai-e-volta, começa garageira para virar algo calmo e rural e voltar a ser garageira, depois disso tudo, entra em algo britânico e oitentista enquanto uma voz irônica, logo depois um solo mal-feito para virar garageira de novo e acabar estranhamente. Ufa…
“Another Hollow Line” é A música pop, é calmas, mas não é lenta, se daria bem desde do country até o britpop, lembra um pouco as músicas mais pop do Blur no inicio da carreira. “Costguard” vai em um clima bem diferente, ela é tocada e cantada de um modo tenso e o refrão nervoso é algo que só aumenta isso, é impressionante a forma em que os três Young Knives conseguem dividir e usar MUITO bem os vocais, tudo parece ser muito bem combinado, todas as músicas tem uma atmosfera definida, e tocada e cantada de um modo original. ”Loughborough Suicide” é algo que muito dificil de explicar, a música é cantada de um jeito estranho e o refrão é algo meio Bruce Springsteen britânico (?), o que deve ser meio impossivel até porque o BRUCE SPRINGSTEEN ERA TOTALMENTE AMERICANO. Enquanto isso os backing vocals conversados vão paralelamente a música, deixando ela mais estranha, algumas as vezes “Loughborough Suicide” consegue soar satânica, uma das melhores músicas do album. “Tremblings Of Trials” é meio oitentista e vai indo normal até chegar ao refrão que mistura um clima medieval e gospel impressionante.
Os Young Knives, junto com o The Rapture, fizeram os melhores albuns de 2006, sabe porque? porque as músicas conseguem atingir atmosferas e climas que nenhuma banda jamais conseguiu fazer. Basta você ouvir “Tailors”, “Loughborough Suicide” e ”Tremblings Of Trials” são músicas que passam algo nunca visto antes, misturam tudo várias coisas que dão em algo que não precisa de muita técnica para fazer, por exemplo, nessas três músicas, não há solos, e não duvido dizer que não tem no maximo 7 acordes a música inteira.
Parabens Young Knives, alem de vocês conseguiram dar atmosferas incriveis, terem 3 cantores geniais, misturarem blues, britpop, garage rock e pós-punk no mesmo album. Conseguiram fazer eu falar The Rapture e Bruce Springsteen no mesmo texto.
Por Guerra



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